Como você reagiria se acordasse e descobrisse que o seu corpo não é mais capaz de fazer o processo natural de filtragem do sangue para eliminar toxinas por meio da urina e precisaria iniciar sessões de diálise? As reações com a descoberta são diferentes, mas a necessidade de cuidado com os rins deve ser de todos. Por isso que a Santa Casa de Itabuna participa todos os anos da campanha de Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).
Referência em nefrologia no interior da Bahia, a Santa Casa promoveu, neste mês de cuidados com os rins, mutirão com oferta de exames gratuitos e um simpósio para debater medidas simples que podem ser adotadas para evitar que o número de pessoas com doenças renais continua aumentando no sul da Bahia. A fila pelo transplante do órgão não para de crescer em todo o país. São cerca de 44 mil pacientes aguardando uma doação. O número de pessoas que chegam em estado grave às unidades também tem crescido.
O médico nefrologista da Santa Casa de Itabuna, Rodolfo Nascimento, reforça que a insuficiência renal crônica é uma doença silenciosa. Isso significa que muitas pessoas estão com complicações no órgão e não sabem. Para mudar essa realidade, é preciso manter a ida ao médico com regularidade. Caso contrário, muitas pessoas só descobrirão a doença no estágio avançado.
Este foi o caso de Roberto Pereira de Jesus, mais conhecido como Robertinho do Forró. Morador de São Cruz da Vitória, no sul da Bahia, ele descobriu, por acaso, que estava com insuficiência renal crônica. “Soube quando sofri um acidente automobilístico em São Paulo e fiquei dois dias em coma. Foi no hospital que descobrir que tinha a complicação. O médico falou que o funcionamento era de apenas 10%. Os rins haviam atrofiados e não tinham mais capacidade de filtragem do sangue”, relembra o paciente do Serviço de Nefrologia da Santa Casa de Itabuna.
A descoberta da complicação renal ocorreu há 9 anos e 5 meses. Robertinho do Forró é professor de teclado e cantor e tem uma rotina considerada normal. “Eu mantenho uma rotina de uma pessoa considerada normal. Faço as minhas atividades normalmente, com exceção dos dias que preciso de fazer a minha hemodiálise, mas, na terça, sábado e domingo, estou livre para o trabalho”.
A IDA AO MÉDICO DEVE SER REGULAR
Robertinho do Forró faz parte de um grupo de pessoas que nem sempre colocam a saúde entre as prioridades e, que às vezes, pagam o preço caro por isso. “Eu sempre fui uma pessoa de pouco ia ao médico. Antes da descoberta da doença havia 10 anos que não fazia um exame de sangue. Caso eu tivesse fazendo exame regularmente, descobriria os rins com 90% ou 80% de funcionamento. Poderia fazer um tratamento mais conservador. Mas a minha descoberta foi tarde”, lamenta, sem perder o otimismo.
A falta de cuidado, de acompanhamento e de uma vida saudável tem custado caro ao brasileiro. Estima-se que cerca de 50 mil pessoas no país com doença renal crônica morram anualmente antes de terem acesso à diálise ou ao transplante. “Podemos mudar essa realidade. Aconselho que pessoas façam os exames básicos, como creatinina e ureia. Não deixe de ir ao médico. Essa doença é silenciosa e perigosa”, aconselha Robertinho do Forró.
A doença renal foi incluída, em 2025, como prioridade mundial em saúde pública e passou a fazer parte de uma lista das “chamadas doenças crônicas não transmissíveis prioritárias”. Nesta mesma lista estão as doenças cardiovasculares, neoplasias, diabetes e doenças respiratórias crônicas.
A Insuficiência Renal Crônica é a condição caracterizada pela perda gradual da capacidade dos rins de filtrar resíduos e excesso de líquidos do sangue. No sul da Bahia, o tratamento gratuito é ofertado gratuitamente no Hospital São Lucas, administrado pela Santa Casa e 100% SUS. Mas o atendimento começa na rede básica de saúde dos municípios.




















































































