A Maçonaria, em sua essência filosófica e moral, tem como fundamento a busca incessante pela verdade, pela justiça e pela elevação do ser humano através da razão e da virtude. Quando se observa a crescente distorção social que tende a vitimizar o criminoso e relativizar o mal, é inevitável que o olhar maçônico se volte com preocupação para o enfraquecimento dos princípios éticos que sustentam a convivência civilizada. O crime, em sua natureza irreversível, deixa marcas profundas não apenas na vítima direta, mas em toda a estrutura moral da sociedade. A indulgência cega, o romantismo com que parte da sociedade enxerga o infrator, e a crítica desmedida às forças que o combatem, revelam uma perigosa inversão de valores.

Para o homem maçom, no meu ponto de vista, a liberdade só existe quando acompanhada da responsabilidade. Nenhuma sociedade pode prosperar quando o delinquente é tratado como herói social e o agente da lei é visto como vilão. O verdadeiro maçom compreende que o equilíbrio entre justiça e compaixão deve existir, mas jamais à custa da ordem ou da segurança pública. A justiça, sob o ponto de vista maçônico, é a base do templo moral da humanidade; sem ela, as colunas da harmonia e da paz se desmoronam.

O Estado, enquanto expressão organizada da vontade coletiva, tem o dever de agir com firmeza e legitimidade no combate ao crime. Todavia, o que se tem visto é um enfraquecimento deliberado, progressivo, de suas instituições, submetidas à crítica ideológica que confunde autoridade com autoritarismo. Deve-se entender que o agente público, quando atua dentro da legalidade e em defesa da sociedade, é um instrumento do bem comum e deve ser amparado, não condenado pela opinião pública.

O criminoso, por sua vez, invariavelmente, age fora de qualquer pacto moral ou jurídico, movido por instintos que ignoram a dignidade humana e o valor da vida. Exigir que o Estado combata tal força com ferramentas fragilizadas e desproporcionais é o mesmo que exigir que a luz dialogue com as trevas em pé de igualdade. Um maçom não prega a violência, mas se vê obrigado a reconhecer que a defesa da ordem requer vigor, coragem e meios proporcionais à ameaça. A omissão diante do mal é, em si, uma forma de cumplicidade.

A sociedade que se compadece do criminoso e abandona o justo perde o norte de sua evolução espiritual. O verdadeiro humanismo não está em proteger o erro, mas em restaurar o equilíbrio ferido pela injustiça. O crime, quando praticado, gera consequências que nem o perdão espiritual apaga de forma imediata; sua irreversibilidade exige reparação e punição justas, para que o mal não se torne norma.

Assim, a minha visão maçônica conclama a sociedade ao resgate dos valores que sustentam o Estado de Direito, à valorização dos que defendem a lei e à rejeição da cultura que exalta o transgressor. O crime não pode ser romantizado, e a justiça não pode ser enfraquecida. Onde o crime triunfa, a luz da razão se apaga — e é dever de todo maçom, e de toda sociedade consciente, manter acesa essa chama.

A justiça deve ser firme, proporcional e imparcial, garantindo reparação às vítimas e preservando a ordem pública, sem ceder a sentimentalismos que relativizam a culpa, reafirmando a confiança estatal sempre.

O criminoso não é vítima da sociedade, mas de suas próprias escolhas e fraquezas morais. Cada ato delituoso nasce da decisão consciente de violar a lei e o direito alheio. Atribuir à sociedade a culpa pelos crimes individuais é negar o livre-arbítrio. A responsabilidade pessoal é fundamento da justiça e da convivência humana.

Quem opta pelo caminho do crime abdica da honra e da razão.


Somente reconhecendo essa verdade é possível restaurar a ordem e a moral coletiva.

Ir.·.  Leonardo Garcia Diniz

Mes.·. Maç.·., membro da Academia Maçônica de Letras, Ciências e Artes da Região Grapiúna (Amalcarg) e da Aug.·. e Resp.·. Loj.·. Sim.·. Amparo e União 260, Or.·. de Ilhéus – BA