Era por volta de meio-dia de quarta-feira (28) quando cinco crianças, com idade entre 4 e 13 anos, badalaram o sino da alegria no corredor do ambulatório de pediatria do serviço de oncologia no Hospital Materno-infantil Manoel Novaes, da Santa Casa de Itabuna. O barulho que ecoou no espaço representa muito nas vidas não somente dos guerreiros que concluíram o tratamento contra o câncer, mas também para aqueles que estão lutando contra a doença.

A quarta-feira foi um dia marcado não pelo choro de tristeza, mas de alegria. De certeza de uma grande vitória para cinco crianças que concluíram, com sucesso, o tratamento de quimioterapia, e para seus familiares e amigos. “Hoje foi um dia para fazer uma retrospectiva sobre tudo que passamos. Os momentos difíceis que enfrentamos. Hoje é um dia para celebrar essa vitória”, afirmou Islany Souza Santos, mãe da pequena Yohanna Souza de Almeida, de 4 anos, moradora de Pau Brasil. A menina concluiu o tratamento depois de 2 anos.

A cerimônia do badalar do sino foi um momento marcado por histórias emocionantes e de superação de mães de crianças que venceram uma etapa do tratamento do câncer. O ritual teve relatos impactantes, resumo de acontecimentos de dias, meses e até anos de aflição e incertezas. “Primeiro tenho de agradecer a Deus por esses dias de luta e fé. Agradecer aos profissionais por todo o cuidado. Hoje estou muito feliz por concluir o tratamento”, falou o paciente Hislan Almeida Brito, de 11 anos.

Mãe de Hislan Almeida, dona Eluciana Brito Reis afirma que o encerramento do tratamento representa uma sensação que não consegue descrever. “É muito emocionante o que estamos sentindo neste momento. Pensar que meu filho voltará a brincar com outras crianças é maravilhoso. Só temos que agradecer a Deus e aos profissionais que cuidaram muito bem dele”, relatou a moradora de Boquira, município do sudoeste baiano que fica a quase 600 quilômetros de Itabuna.

O Significado do badalar do sino

O ato de badalar o sino tem um significado muito especial para os familiares e amigos das pessoas que encerram o tratamento de quimioterapia.“É um momento que também serve para incentivar os demais pacientes que seguem na batalha diária contra a doença. Os depoimentos são inspiradores para pessoas que encontram no outro uma história similar a sua”, conta a coordenadora médica do Serviço de Oncologia da Santa Casa da Santa Casa de Itabuna, a médica oncologista Regiana Quinto.

Para a médica Keitth Carollaine, a cerimônia gera muitos benefícios para os pacientes, pois são despertados sentimentos como vitória, superação física e emocional. “É o momento em que é compartilhada uma grande vitória. Além disso, é uma forma de motivação para outros pacientes seguirem firmes e acreditando no tratamento. O badalar do sino passa confiança em um momento de adversidade que o outro está enfrentando”, observa a médica.

O ritual de tocar o sino pelo paciente ao final da quimioterapia possui o significado de encerramento de um ciclo importante. “É um processo desafiador não somente para o paciente que precisa de todo cuidado e carinho, mas também o familiar dele. Estou muito feliz porque foram cinco crianças que bateram o sino em um só dia. Isso demonstra que é possível vencer o câncer. O nosso ambulatório está cheio de muito carinho e amor esperança para acolher as nossas crianças”, finalizou a médica Keitth Carollaine.