O COMPASSO – O que representa o Dia do Maçom para a irmandade maçônica?
Raimundo – O Dia do Maçom é, acima de tudo, um momento de reflexão. Mais do que celebrar a história da Maçonaria e daqueles que nos antecederam, precisamos olhar para o futuro e perguntar: qual será o legado que nós, maçons de hoje, deixaremos para as próximas gerações? Essa é uma questão que sempre procuro colocar em primeiro plano. A data nos convida a reconhecer o passado, mas principalmente a pensar no futuro da Maçonaria e na nossa responsabilidade enquanto membros da instituição.
O COMPASSO – Quando olhamos para a história do Brasil, o que lhe chama a atenção nos Maçons que nos antecederam?
Raimundo – Os maçons do passado deixaram um legado muito significativo e tiveram participação relevante em diferentes momentos da história brasileira. Podemos lembrar da Independência do Brasil, da luta pela Abolição da Escravidão e de diversos outros movimentos políticos e sociais que marcaram a construção do nosso país. Independentemente das interpretações históricas, existe uma contribuição que precisa ser estudada e compreendida. E é justamente por isso que, quando celebramos o Dia do Maçom, não devemos olhar apenas para aquilo que eles fizeram, mas também perguntar: o que nós estamos fazendo com esse legado?
O COMPASSO – O que os Maçons da atualidade podem aprender com essas gerações que vieram antes?
Raimundo – Podemos aprender que uma instituição só permanece relevante quando seus integrantes compreendem o seu tempo e têm coragem de pensar no futuro. Os maçons que nos antecederam participaram de questões importantes de sua época e deixaram marcas na história. Hoje, os desafios são outros. Por isso, precisamos pensar permanentemente sobre qual deve ser o papel da Maçonaria no mundo que estamos construindo, não podemos viver tão somente de fazer filantropia, mas discutir questões que sejam fatores de transformação social. O legado do passado não pode ser apenas motivo de orgulho, ele precisa ser uma responsabilidade que nos estimule a construir algo que também seja lembrado no futuro.
O COMPASSO – Na sua visão, qual deve ser a preocupação da Maçonaria com as novas gerações?
Raimundo – Na Loja Areópago Itabunense sempre discutimos essa questão, ainda, nesse sentido importante mencionar o Mestre Maçom Ruy Nepomuceno, Advogado assíduo e afeiçoo às questões sociais, quando em nossas explanações concordamos que precisamos preparar a Maçonaria para o futuro. Isso significa formar homens comprometidos com valores, ética, fraternidade, responsabilidade social e capacidade de compreender as transformações da sociedade. A pergunta que devemos fazer é: se os maçons do passado contribuíram para transformar momentos importantes da história brasileira, qual será a nossa contribuição histórica? Não podemos viver apenas da memória daqueles que vieram antes de nós. Precisamos construir nossa própria história.
O COMPASSO – Existe o risco de a Maçonaria ficar excessivamente ligada ao passado?
Raimundo – Existe esse risco quando transformamos a história em mera lembrança, sem transformá-la em inspiração para o presente e para o futuro. Eu vejo o passado como uma referência, mas minha preocupação principal é sempre qual será o futuro da Maçonaria. Precisamos respeitar os nossos antecessores, conhecer suas lutas e reconhecer seus legados, mas também compreender que cada geração recebe uma responsabilidade. A nossa geração recebeu uma instituição construída ao longo de séculos. A pergunta é: o que entregaremos às próximas gerações? Entende que sempre sou remetido a esse questionamento.
O COMPASSO – Para finalizar, qual mensagem você deixaria aos Maçons neste 20 de agosto: Dia do Maçom?
Raimundo – Eu diria que o Dia do Maçom deve ser um dia de celebração, mas também de consciência. Devemos lembrar que homens que nos antecederam estiveram presentes em momentos importantes da história do Brasil, como a Independência e a Abolição, deixando um legado que chegou até nós, mas, agora é a nossa vez. Precisamos olhar para o futuro e refletir sobre qual legado estamos deixando como maçons do presente, pois, daqui a algumas décadas, quando outros maçons olharem para a nossa geração, o que encontrarão? Essa é, para mim, a grande pergunta do Dia do Maçom: não apenas o que recebemos, mas o que estamos construindo e o que deixaremos para aqueles que virão depois de nós.
















































































