*Por Anna Karenina MTB-BA 4085
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Durante agenda em Uruçuca, nesta última terça-feira (17), onde autorizou a pavimentação de 38 quilômetros da BA-653 no trecho entre a sede do município e o distrito de Serra Grande, o governador Jerônimo Rodrigues dedicou parte do pronunciamento público à crise enfrentada pelos cacauicultores baianos.
Ao comentar a recente mobilização de produtores, o governador reconheceu que o cenário é complexo e afirmou que a solução não é simples. “Não é um problema fácil de se resolver”, declarou.
Comissão formada e grupo técnico em Brasília
Jerônimo informou que já instituiu uma comissão estadual para acompanhar o tema, reunindo representantes da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB), União dos Produtores de Cacau, Câmara Setorial do Cacau e a CEPLAC.
Segundo ele, na próxima segunda-feira (23), um grupo técnico deverá se reunir com a equipe do vice-presidente Geraldo Alckmin, com a participação de ministros como Carlos Fávaro, Rui Costa e representantes da área econômica federal.
A proposta é reunir técnicos e agricultores de pequeno, médio e grande porte para discutir encaminhamentos que envolvam desde questões sanitárias, como pragas e doenças, até infraestrutura, mercado e regulação de preços.
Defesa de preço mínimo
Um dos pontos centrais da fala foi a defesa da criação de mecanismos federais de regulação.
O governador citou como exemplo a política de preço mínimo aplicada a culturas como milho e feijão e sugeriu que modelo semelhante possa ser adotado para o cacau, por meio da compra pública de amêndoas para regular o mercado.
“O produtor não tem controle sobre o preço, que é formado na Bolsa de Valores. Mas é preciso que o Governo Federal estabeleça regras”, afirmou.
Jerônimo ressaltou que o objetivo é garantir dignidade na comercialização da arroba do cacau, com reflexos não apenas para o produtor, mas para o comércio, os trabalhadores e as prefeituras da região.
“Não podemos viver de sobe e desce”
O governador também reconheceu que o mercado do cacau é historicamente marcado por oscilações. Ele relembrou o período em que a arroba chegou a R$ 1.000 e disse ter considerado aquele valor fora da normalidade do mercado.
“Não podemos ficar a cada ano nessa luta de preço sobe e preço cai”, afirmou, defendendo a construção de uma política estruturante para o setor.
Para ele, o cacau segue como “mola propulsora do desenvolvimento, da renda e da inclusão” no sul da Bahia, mesmo diante da diversificação econômica da região.
Diálogo com indústria e fortalecimento de cooperativas
Jerônimo afirmou que vai mediar diálogo com indústrias do setor e defendeu que o debate seja conduzido de forma institucional.
“É obrigação da gente botar na mesa o que queremos. Eles dirão se podem ou não”, declarou.
Entre as alternativas citadas estão o fortalecimento de cooperativas para ampliar o poder de negociação dos produtores e a superação de divergências regionais sobre modelos de cultivo, defendendo a convivência entre o cacau cabruca tradicional e novas áreas de produção irrigada.
Contexto
A fala ocorre em meio à queda no valor da arroba e à insatisfação de produtores, que vêm reivindicando revisão de políticas de importação, medidas sanitárias mais rigorosas e mecanismos de sustentação de preços.



















































































