Entre atrações da cena nacional despontam nomes como a Alana Barbo, a indígena Tainara Takua, mestras Brisa e Jenice do samba de roda e as internacionais Regina Galindo e Nadia Granados

De 13 a 23 de novembro, a vila de Serra Grande, distrito de Uruçuca, localizada no sul da Bahia, vai virar palco e encruzilhada de caminhos para III Edição do Festival Perforfeminas, performances femininas, artes vivas, atividades formativas, videoperformances, rodas de conversa, debates e shows musicais para encerrar todas as noites.

A programação, composta de artistas nacionais e internacionais, circula pelos locais Espaço Flores Astrais, Centro Cultural Casa Serpente, Feirinha Saberes e Sabores e Feira de Produtores na Represa (de sábado). Totalmente gratuito, o Perforfeminas conta com acessibilidade, aberto ao público de diferentes faixas etárias, “feito por e para mulheres em toda diversidade de corpos e identidades”, afirma a venezuelana Génova Alvarado, idealizadora e performer do festival.

Este ano, o Festival Perfofeminas edição Afropindorâmicas manifesta abrir oportunidades e espaços para o ofício artístico feminino num universo tão dominado por homens, “e principalmente ser passarela a céu aberto para união e exibição de performances femininas no mais amplo sentido do termo mulheridades, além de ser lugar de representatividade dos povos originários, afrobrasileiros e dos países latinoamericanos, explica Génova.

Nesta terceira edição, forjada por fartos brados e ecos dos tambores, reivindica a perspectiva do encantamento e ciências ancestrais dos modos de sentir, pensar e fazer das múltiplas presenças, culturas, linguagens e sabedorias que operam em corpos que carregam memórias, nas frestas e vazios deixados pelo colonialismo.

Serão dez dias de criações, imersões, vivências, projeções, instalações e intercâmbios artísticos de diferentes multiplicidades contracoloniais, “em comum intersecção, protagonizar rostos, vozes, fazeres e saberes, do povo negro e indígenas originários, tradicionais do território de Serra Grande, municípios vizinhos da costa do cacau e todo litoral sul baiano” ressalta Alvarado.

Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura - Governo Federal.

Curadoria

A curadoria é da idealizadora Génova Alvarado, em parceria com as artistas Ailime Huckembeck e Bárbara Flores, moradoras de Serra Grande. "Esta edição é um exercício de reparação para o território e enfatização da importância das confluências de mulheridades de diversas identidades e comunidades", explicam as curadoras.

O nome que embala o Festival deste ano é Afropindorâmica, inspirado no termo alcunhado pelo ativista político, líder quilombola e escritor Antônio Bispo dos Santos, conhecido por Nego Bispo, “numa homenagem e referência à ancestralidade desta terra Pindorama, como indígenas ancestralmente nomearam”, destaca Génova.

Em geral performances usam estéticas de encenação e integração de linguagens que traduzem as realidades multifacetadas do mundo atual, “além de evidenciar o cruzamento e forças femininas, heranças das mulheres negras, indígenas, quilombolas, marisqueiras, periféricas, migrantes e marginais em uma celebração da pluralidade do ser mulher, com dignidade de remuneração e trabalho”, pontua a curadora e performer Ailime.

Festival

A noite de abertura, marcada para 13 de novembro (quinta-feira), fica com programação por conta da videoperfomance Perder el origen, da artista chilena Paula Coñoepan, de descendência indígena mapuche, seguida de calorosa recepção em sopro de palavras da curadoria, as anfitriãs da casa.

Em continuação, vai haver a performance Assar beiju na palha para você levar pra viagem, de Jeisiekê de Lundu, e o encerramento da noite com show com artista indígena Tainara Takua, que traz através de composições e canções da própria ancestralidade preservada no idioma e etnia Guarani Mbya.

Neste tempo e espaço de expressões corporais, a cosmovisão, culinária, ritos, gestuais, danças, cantos e festejos populares de tradições dos povos afrodiaspóricos e originários integram a performatividade, abordam questões existênciais, sociais e políticas ao passo que evidenciam alianças entre pessoas, etnias e nações de latinoamérica.

Oficinas

Rodas de conversa e oficinas gratuitas, para mulheres, jovens e público em geral, e vão acontecer ao longo da semana, como a imersão Dançar a Floresta, com Inaê Moreira que vai culminar em cortejo coletivo de mulheres. Oficina formativa em Libras, para toda comunidade e agentes culturais.

Oficina Poéticas do Corpo com Érika Marcela, atividade de criação em performances com Renat Castillo e Corpos que falam: arte como emancipação identitária com Ebilla Carvalho.
Para participar de quaisquer das opções é necessário fazer inscrição, disponível no instagram do Festival.

Artistas

No intuito de proporcionar momentos de alegria, reflexão, encontros e trocas de experiências, artistas baianas, brasileiras e internacionais se unem em torno do universo criativo feminino e exploram, por meio de rodas de conversa, musicalidade, performances, verdadeiro ambiente de inclusão, respeito à diversidade, quebra de estereótipos, unificação de fronteiras, inclusive geográficas.

Participam do III Perforfeminas - edição Afropindorâmicas extensa gama de artistas, desde indígenas, não indígenas, pretas e aquilombadas como: Bárbara Flores em duo e rito com Nadia Tupinambá, Olinda Tupinambá, Lucimélia Romão, Alana Barbo, Maylana e Rajana Irineu, Tica Lemos, Inaê Moreira, Keila Sankofa, Uyra com documentário Retomada da Floresta, Nanci Cravinho, Juliana Wähner, entre outras.

Internacionais

Regina José Galindo, artista de Guatemala que conta, através das performances, principalmente sobre a memória política do próprio país natal. Também a colombiana Nadia Granados, no qual traz reflexões, entre tantos temas, sobre a utilização e papel dos grandes veículos de massa, com performance presencial.

E, na categoria de videoperformances, Paula Coñoepan (Chile) cuja obra fala principalmente sobre papel social da mulher, são algumas das convidadas que integram o corpo de artistas estrangeiras.

Shows

Para abrilhantar as noites do Festival se apresentam musicistas e intérpretes do território litoral sul e municípios vizinhos, como a matriarca mestra Jenice e mestra Brisa de Boipeba, com Samba Mulheres das Ondas do Mar, com muito samba de roda.

Eloah Monteiro, Ize Duque, Amanda Maia artista da vila, “para engrossar o caldo de nosso encontro trazendo convidadas muito especiais” encerra Génova. Além destes grandes nomes se juntam ao festejo o Grupo Luanda de capoeira, forró Baião de Sereia e Maracatu Estrela de Serra.

Edições anteriores

Idealizado em 2018 pela artista visual e gestora cultural venezuelana Génova Alvarado, o Perforfeminas tem como objetivo conectar, estimular e fomentar a produção de mulheres artistas multidisciplinares.

A primeira edição foi realizada no Museu Jacobo Borges, em Caracas (Venezuela), e a segunda em 2022, numa ação do Ateliê Canto da Onça, conjuntamente com Ailime Huckembeck, no Centro Cultural Casa Serpente, em Serra Grande.

Serviço

III Festival Perforfeminas Edição Afropindorâmica

Quando: 13 a 23 de novembro de 2025

Onde: Serra Grande, Uruçuca - BA

Confira a programação em @perfo.feminas

Entrada gratuita