Por Jabes Ribeiro

Quando me perguntam por que, depois de cinquenta anos de vida pública, continuo participando da política, debatendo os problemas da minha cidade, apoiando candidatos e defendendo ideias, minha resposta é simples: continuo acreditando nas pessoas e na capacidade da boa política de transformar vidas.

Nasci em uma família humilde. Sou filho de um operário, homem simples, trabalhador e honesto, que, ao lado da minha mãe, me ensinou, pelo exemplo, o valor da dignidade, da palavra e do trabalho.
Cheguei ainda jovem a Ilhéus, aos dezesseis anos.

Foi essa cidade que me acolheu, ofereceu-me oportunidades e deu sentido à minha vida pública. Tudo o que construí nasceu desse encontro entre a minha história e a história de Ilhéus, cidade bela e generosa que se aproxima dos seus quinhentos anos.

Aqui constituí minha família, fiz amigos e criei raízes. Ilhéus deu rumo à minha vida e sentido à minha caminhada.

O magistério e a advocacia ampliaram a minha compreensão do mundo.

Como professor da UESC e de outras instituições, aprendi que ensinar é também uma forma de servir.
Em 1976, iniciei minha caminhada partidária como candidato a vice-prefeito. Vieram, depois, a Secretaria Municipal de Educação, quatro mandatos como prefeito, o mandato de deputado federal, a Secretaria de Estado e outras responsabilidades que a vida pública me confiou. Nunca enxerguei esses cargos como títulos pessoais, mas como oportunidades de servir.

Ao longo dessa caminhada, procurei construir pontes, nunca muros. Sempre me defini como um social-democrata. Convivo com naturalidade e respeito tanto com a esquerda democrática quanto com a direita democrática, porque acredito que nenhuma sociedade prospera quando transforma adversários em inimigos.

A democracia não exige unanimidade; exige diálogo, respeito às diferenças e compromisso com as instituições. Para mim, a democracia sempre será inegociável.

Também aprendi que liderar não significa apenas convencer; significa, antes de tudo, saber ouvir. Talvez essa seja uma das maiores alegrias que a política ainda me proporciona: conversar com as pessoas, ouvir suas dificuldades, compreender seus sonhos, construir consensos, formar novas lideranças e renovar permanentemente um grupo político unido pelo amor a Ilhéus e pelo desejo de praticar uma política honrada.

Se me perguntarem qual legado gostaria de transmitir, responderei sem hesitação.
O primeiro é a opção permanente pelos que mais precisam. Tenho orgulho de iniciativas como o programa Viva o Morro, que levou urbanização, infraestrutura e dignidade aos moradores dos altos de Ilhéus, além de tantos programas sociais voltados às populações mais vulneráveis da sede e do interior do município. Governar só faz sentido quando melhora concretamente a vida das pessoas.

O segundo legado é a defesa da cultura. Sempre compreendi que uma cidade não vive apenas de obras. Vive também da memória, da educação, das artes e da preservação do patrimônio histórico e cultural. Um povo que conhece a sua história fortalece seu sentimento de pertencimento e encontra razões para construir um futuro melhor.

Reafirmo o meu compromisso inabalável com o Estado Democrático de Direito. Ao longo da vida, testemunhei momentos difíceis da história brasileira. Isso apenas reforçou minha convicção de que nenhuma causa política justifica o desrespeito às liberdades, às instituições e à Constituição.
A democracia é o único caminho capaz de permitir que as diferenças convivam em paz.

Hoje, aos setenta e quatro anos, continuo movido pela mesma esperança que inspirou os meus primeiros passos na vida pública. Já não me movem cargos nem honrarias. Move-me a convicção de que ainda posso contribuir com ideias, experiência, diálogo e equilíbrio para ajudar minha cidade e meu Estado.

As gerações mudam, os desafios se renovam, mas alguns valores permanecem eternos: ética, respeito, solidariedade, compromisso com os mais necessitados, amor pela cultura e defesa intransigente da democracia.

Continuo acreditando que vale a pena fazer política. Não qualquer política, mas aquela que aproxima em vez de dividir, que dialoga em vez de gritar, que acolhe em vez de excluir e que transforma a vida das pessoas. Essa foi a causa à qual dediquei a minha vida.

E, enquanto eu puder servir, continuará sendo.

Jabes Ribeiro, Ilhéus, agosto de 2026