Começo o  título da cônica pela abreviatura, é assim que as pessoas conhecem e chamam. Suponho que  nem consigam mais dizer o quê significa, mas  sabem o conteúdo da Feira Internacional do Pelourinho (FLIPELÔ): - evento literário que reúne escritores e livros, certamente, seria um dos conceitos.  É por aí, mas as feiras literárias se popularizaram na Bahia, certamente, é hoje o estado brasileiro que mais realiza eventos dessa natureza. Iniciou-se como movimento isolado, em Feira de Santana, Flisf, na sequência Flica (Cachoeira) e foi-se avolumando.... nem sabemos mais quantas são, onde estão e quando começou. Carece de um mapeamento na Bahia, como a Fundação Pedro Calmon está fazendo com os Clubes de Leitura.

Com a ampliação de eventos literários, são feiras, festivais... as nomenclaturas são as mais diferentes, lexicograficamente, com sentidos variados, mas compreendidos, grosso modo, como a mesma coisa. O governo da Bahia, por meio de edital da Fundação Pedro Calmon, aportou um volume financeiro e acabou por atiçar o crescimento de festivais, fomentando-os em diversos território.  Assim, cresceram exponencialmente  na Bahia. Isso é bom no primeiro momento, aproximam escritores e livros da população local. Estimula à leitura, interage com as demais linguagens do campo das artes. Alguns acham que só os livros devem brilhar. Outros pensam que escritores e livros. Eu fico com a diversidade da vida, escritores, livros, o leitor e as diversas linguagens artísticas. Literatura é vida, é tecido social , é imaginação... é campo propício para as reflexões... comprometida (ou sem compromisso com o problema). Literatura pode criar problemas. Nem sempre oferece solução. É isso que permite que cada enredo, cada narrativa se mostre diferente. E ainda tem o leitor que a cada leitura cria uma nova obra.

Enfim, voltamos para a Flipelô 2026, a maior edição da história, sem dúvida, o maior evento do gênero na Bahia. Mais de 500 mil pessoas participaram, mesas, rodas... foram centenas...  mais de 500 escritores participaram. De diferentes lugares da Bahia, do Brasil e do exterior...foi uma edição eclética... inclusiva... diversas editoras participaram. Pela primeira vez algumas editoras nacionais fixaram seus pés na Flipelô. As editoras baianas lá estavam com seus stands. Local até pequeno para reunir várias delas. As editoras universitárias baianas se arranjaram na Faculdade de Medicina, literatura e história se entrelaçaram no território do ensino superior mais longevo do Brasil.

Lá, encontrei a nossa confreira Rita Santana abrilhantando a mesa “Palavras que desatam nós “, somava-se na potência de vozes com mais três outras mulheres negras amplificando a participação de mulheres na produção literária e científica (Calila das Mercês, Fernanda Mota e Isabela Almeida). Lembrou que muitos de seus leitores permanecem apaixonados por seu livro “ Alforrias” e se mantem. Eu sou um desses. Não sou apaixonado. Sou casado, mas não sou ciumento, recomendei como recurso pedagógico para uma disciplina da Ufba em uma unidade de ensino. Por favor, não me tomem como praticante do poliamorismo. Nada contra, mas é que livros não tem dono. Tem autor e direitos patrimoniais...lançado ao mundo, o leitor é outro criador e narra a obra, agora, ao seu modo e com suas vivências.

As ruas do Pelourinho ficaram lotadas... os bares e restaurantes fervilhavam... as praças foram ocupadas. O acarajé estava mais gostoso.  O papo delicioso com os amigos. Mais eventos para ocupar o Pelourinho: festival de música, cinema, artes plásticas, reciclagem... o Pelourinho é um centro de convenções a céu aberto. Gastronomia...eventos científicos...

A UFBA precisa se envolver mais no evento enquanto seu território. A Academia de Letras da Bahia, por meio de seus membros, participa de diversas mesas. Sinto falta de espaços maiores/tendas para reunirem mais pessoas nas mesas disputadas.  Mas, o Pelourinho tem seus limites físicos. A Fundação Jorge Amado brilhou mais uma vez na organização e promoção do evento. Precisamos agradecer aos patrocinadores. Não se promove artes no Brasil sem apoiadores comprometidos com a cultura e as liberdades de expressão. A comunicação da Flipelô foi impecável e a curadoria foi muito feliz. A Flipelô não chegou a essa edição com  “Era uma vez”, mas com: “aguardem 2027!”. Um salve à Myriam Fraga e a Calasans Neto, homenageados da Flipelô 2026.

Efson Lima

Membro efetivo da Cadeira 40 da Academia e Letras de Ilhéus e 13 da Academia Grapiúna de Artes e Letras/Agral – Itabuna.