“E eis posta na terra uma escada cujo topo tocava nos céus; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela.” (Gênesis 28:12)
“Viver em Real Ascensão ou em Mera Ilusão de Progresso”.
Na Bíblia (Gênesis 28), Jacó sonha com uma escada que ligava a Terra ao Céu, com anjos subindo e descendo, e Deus no topo prometendo proteção e bênçãos.
Na Ordem Maçônica, ascender a escada significa, portanto, transformar-se internamente através do estudo filosófico, moral e simbólico de cada grau que representado pelos degraus da escada de Jacó. Cada degrau simula virtudes, cada degrau é um grau de desenvolvimento.
Receber um grau sem assimilá-lo equivale a subir um degrau sem apoiar o pé — o que leva a ilusão de progresso.
Ao subir a escada de Jacó, degrau a degrau, o maçom sonha em seu amago estar buscando, de fato, a elevação do espírito humano, mas, ao final, elevando-se, absorvendo conhecimentos, precisa descê-la, instruindo e protegendo os irmãos que a estão subindo, fazendo a aplicação de seus saberes, na prática, passar as lições aprendidas, intervindo, enquanto cidadão, na vida terrena sempre a serviço à humanidade. A Escada exige conhecimento, superação gradativa, paulatina, sem saltos, dos desafios; exige esforço, estudo e principalmente vivência dos saberes de cada um de seus patamares.
O real sentido de ascender a Escada de Jacó na Maçonaria é um processo de evolução gradual, consciente e integral do ser humano — intelectual, moral e espiritual, representando a ponte entre o terreno (o homem imperfeito) e o divino (a busca pela Luz, pela Verdade e pela conexão com o Grande Arquiteto do Universo). Não se trata de um ritual mecânico ou de mera progressão hierárquica de graus, mas de uma jornada de aperfeiçoamento contínuo, degrau a degrau.
A Maçonaria contemporânea é extremamente ritualística, formalista, trabalha apenas leitura de textos em detrimento do ensinamento dos Augustos mistérios, da essência filosófica, a ritualista simples e pura destrói o esotérico que são aqueles conhecimentos propostos nos rituais, mas que quedam como saberes ocultos, profundos e escondidos nas entrelinhas dos rituais, sem que mentores experientes venham mostrá-los aos iniciados que sem incentivos acabam abandonando.
A maioria avassaladora dos maçons veem os graus como “títulos” ou “conquistas sociais”, sem mergulhar na filosofia, alegoria e moral de cada um. As Inspetorias Litúrgicas e corpos ritualísticos frequentemente priorizam a correção cerimonial (decorações, palavras, gestos) em detrimento da cobrança necessária da compreensão profunda e aplicação prática.
Essa indiferença institucional reforça o problema ocasionando o que hoje vivenciamos, total ausência de cobrança (exames reais de proficiência filosófica, não apenas por memorização, decorar os rituais).
Escassez de trabalhos obrigatórios ou estimulados sobre o significado de cada grau.
Resultado: maçons “de grau alto” que permanecem espiritualmente no chão, sem ter realmente “ascendido”.
A maior razão da falta de estudo é exatamente essa dupla ausência — falta de exigência das estruturas maçônicas + falta de interesse pessoal. Sem cobrança externa, o ser humano tende à comodidade. Sem interesse interno, a cobrança vira burocracia vazia. É um círculo vicioso que esvazia a Ordem de seu potencial transformador, não há produção de bons trabalhos, não há evolução de aprendizado, reduz-nos, em muitos casos, a um clube social com rituais bonitos.
Ascender a Escada de Jacó não é “subir de grau”, mas viver cada grau como um degrau real de consciência. Os graus maçônicos (simbólicos, inefáveis, filosóficos etc.) são ferramentas pedagógicas: cada um apresenta lições específicas sobre ética, história, simbolismo, cabala, virtudes etc. Ignorá-las transforma a iniciação em mera formalidade.
A falta de estudo e cobrança gera:
Estagnação espiritual: O maçom acumula títulos, mas não evolui. A Escada fica ornamental.
Crise de identidade da Maçonaria: A Ordem perde força como “escola de filosofia moral” e “escola de formação do caráter”.
Desconexão com o divino: Sem ascensão real, não há verdadeira comunicação “céu-terra”. Os anjos param de subir e descer, como aconteceu no sonho de Jacó.
A solução passa por recuperar o rigor iniciático antigo: estudo obrigatório, trabalhos reflexivos sobre cada grau, debates filosóficos em Loja, e Inspetorias que cobrem não só liturgia, mas assimilação. O maçom deve ser questionado: “O que este grau mudou em ti? Como aplicas esta virtude no mundo?”.
Em resumo, o real sentido de ascender a Escada de Jacó é tornar-se um homem melhor, mais sábio, mais virtuoso e mais útil à humanidade, degrau a degrau, com esforço consciente. Sem estudo e sem cobrança, estamos oferecendo apenas a ilusão de subida; Jacó continuaria dormindo no chão, sonhando com uma escada que nunca galga. A responsabilidade é dupla: do irmão (busca pessoal) e da Instituição (exigência formativa). Recuperar isso é essencial para que a Ordem cumpra seu papel histórico.
Ao escrever esta arquitetura nada mais faço do que reconhecer minhas próprias lacunas, minhas dificuldades nas interpretações esotéricas, exatamente, por falhas de orientação adequada, mas é o sintoma de um problema coletivo que precisaremos adequar no devido tempo; a falta de cobranças e de obrigatórias sessões para estudo sistemático gera desconhecimento justamente naqueles que devem ser reconhecidos como membros dos “altos corpos”.
Estudar, refletir e buscar ascender de verdade, ainda que com inseguranças é dever do maçom.
Ir Leonardo Garcia Diniz
MM – CT – Grau 33 – Amalcarg e membro ARLS Amparo e Uniâo 260 – Ilhéus – Bahia.




















































































