5º Festival Internacional de Circo Abya Yala celebra união e reparação histórica em nova edição

Evento ocorre de 27 de outubro a 1º de novembro em Serra Grande e conquista a própria lona, além de promover a Noite Indígena e Afro

O litoral sul da Bahia se prepara para virar um grande picadeiro durante a 5º edição do Festival Internacional de Circo Abya Yala. O encontro ocorre entre os dias 27 de outubro e 1º de novembro, no território de Serra Grande, município de Uruçuca. A programação, totalmente gratuita, e aberta a todo público, engloba oficinas, vivências, espetáculos e círculos de saberes que exaltam a pluralidade cultural e a força do circo contemporâneo.

Nesta quinta edição a grande conquista reside na aquisição da própria lona, passo fundamental para impulsionar um circuito circense itinerante e independente. “Mais do que uma vitória material, a lona simboliza uma semente de autonomia e expande as possibilidades de criação, circulação e ocupação cultural no território”, comunica Erika Marcela Sanchez, idealizadora do projeto.

A festividade deste ano também exalta a relevância nacional do reconhecimento recente do circo de tradição familiar como patrimônio cultural brasileiro espalhada por todo o país força motriz na transmissão de saberes, técnicas, modos de fazer, formas de convivência, promoção de espetáculos, memória social, e se soma a reconhecença da da cultura circense como bem cultural imaterial da humanidade.

Novidades

A 5ª edição do Festival Abya Yala se aperfeiçoa a cada edição executada, e neste ano apresenta mudanças importantes, a Noite Indígena e Afro em Cena, “espaço de protagonismo para povos historicamente invisibilizados, reivindicação de direitos e reparação histórica, por meio da arte e da sabedoria ancestral”, explica Marcela.

Mais uma novidade é a vivência de Palhaçaria de Terreiro, com Antônia Vilarinho, a “atividade sugere uma reflexão profunda sobre a descolonização da palhaçaria e conversa com tradições afro-brasileiras ligadas à mandinga e recupera práticas originárias, como os Hotxuá do povo Krahô, no Tocantins” reitera Érika sobre a identidade do Festival.

Este ano, o protagonismo feminino consolida-se como marca do projeto, com mais uma noite dedicada às mulheres artistas. A programação também exalta talentos infantis da Escola de Circo do território, que há 15 anos colabora com a formação de novas gerações e cria espaço para as alunas brilharem no palco.

Programação Durante a semana, as atividades tomam o Barracão do Bairro Novo, e a Represa se transforma num picadeiro de lona nova, a céu aberto. A grade formativa abrange o Laboratório de Dança O que te move?, com Sol Catalan (Chile), oficina de Bambolê com Pipa (Equador), oficina de Circo e Arte de Rua com Matias Donoso (Chile) e a Oficina de Rap no Bairro com o artista local Snep Nego (Uruçuca).

As noites de espetáculos se organizam em três temáticas: arte, ancestralidade e reparação histórica. Na sexta-feira (30/10), a Feira Comunitária Saberes e Sabores, Bairro Novo, acolhe a noite Vozes do Mundo, com o Grupo Luanda Capoeira e números de artistas locais e internacionais, a maestria de cerimônia fica a cargo de Victor Diomendes.

Já no sábado (31/10), o Circo da Lua destina espaço para a noite Indígena e Afro em Cena, com a presença de artistas de povos originários do Brasil, Venezuela, Argentina e Colômbia, além de representantes da Costa do Marfim e do Equador, sob o comando das jovens Kim e Vênus.

O encerramento no domingo (01/11), acontece na Represa com a noite Corpos femininos, mundos infinitos, que aglutina artistas da Argentina, Chile e Brasil, com destaque para o espetáculo A mulher festa, de Antônia Vilarinho, a apresentação fica por conta de Hellen. Ainda pela manhã, o Círculo de Saberes realiza encontro com Nadia Akawa Tupinambá, Dona Jô, Mara Campos, Bárbara Flores e Panhonka.

Para Érika Marcela, “a proposta central reside em fortalecer o circo como patrimônio vivo e dar visibilidade a vozes diversas. O palco e os espaços de formação transformados em territórios latinoamericanos de encontro, memória e reparação, onde corpos e saberes historicamente silenciados assumem o lugar de protagonistas", afirma. Viva o Abya Yala!

Oficinas

As oficinas e vivências acolhem tanto artistas que desejam aprofundar conhecimentos quanto pessoas que pretendem iniciar a trajetória nas artes cênicas, com certificação para os participantes. Dança, palhaçaria, rap, círculo de saberes como identidade, território, corpo e espiritualidade. O formulário para inscrições está no link na bio do instagram.

Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura - Governo Federal.

Serviço 5º Festival Internacional de Circo Abya Yala Quando? De 27 de outubro a 1º de novembro Onde? Serra Grande, Uruçuca, Bahia Quanto? Gratuito (com certificação para oficinas) Informações: (73) 9909 – 4852 (zap) | @abyayalafestival